
Por Killzy Lucena
NEDETA, a primeira impressão, o nome parece estranho e complicado. Mas a palavra tem um significado muito especial: Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade da Universidade Federal do Pará - UFPA.
Um projeto com um importante desafio: transformar a realidade de crianças com necessidades especiais, possibilitando a prática de tarefas do cotidiano e, claro, a inclusão social.
Segundo o censo 2000 do IBGE, 14,5% da população brasileira apresentam algum tipo de deficiência, mas o avanço da tecnologia assistiva no Brasil ainda é bastante tímido. Na contramão dessa realidade, há dois anos, o NEDETA atende cerca de 80 crianças, a maioria vitimas da paralisia cerebral. É o caso do Jéferson, de seis anos de idade. Há um ano, ele e a mãe, Silvana Guimarães, enfrentam uma verdadeira maratona.
Toda semana eles vêm do município de Concórdia do Pará, no nordeste do estado, para o atendimento no NEDETA. “Está valendo à pena porque ele está progredindo muito. Ele já fica sozinho na bacia para tomar banho e já brinca para me deixar fazer o serviço de casa. Antes ele só ficava na rede e hoje em dia ele brinca normal, como uma criança normal”, se orgulha Silvana.
O NEDETA funciona na Unidade de Ensino Assistência de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (UEAFTO), da Universidade do Estado, onde são realizadas pesquisas e a construção de mobiliários que atendem as necessidades específicas de cada criança. O material inclui cadeiras, livros, softwares, além de dispositivos que acionam brinquedos e que permitem também a interação de meninos e meninas com o computador.
Uma das propostas do núcleo é popularizar a tecnologia para os mais carentes, substituindo o material importado por produtos nacionais e regionais. “Nós pegamos a idéia dos recursos importados e transformamos em objetos mais simples e mais baratos, porque se fala tanto em acessibilidade tecnológica, mais aqui no projeto, a acessibilidade também é financeira”, afirma a terapeuta ocupacional e coordenadora do NEDETA, Ana Irene. “Aparelhos que no mercado custam em média trezentos dólares, os alunos desenvolvem no projeto por cinco reais”.
Encaminhadas pelo SUS e instituições privadas, as crianças são atendidas de segunda a quinta-feira, em horários agendados pela manhã e tarde. “Quando a criança entra aqui, a gente faz uma avaliação dos conhecimentos que ela tem. Depois da execução do plano de tratamento a gente verifica de novo. A diferença entre o antes e o depois é fantástica. No final do atendimento ela adquiriu conhecimentos que agente nunca imaginava que ela ia conseguir. As mães comentam com a gente, o quanto essa criança está interagindo mais com o pai, com o colega, com a família, na escola, devido o atendimento que tem aqui”, comenta Laiana Soeiro Ferreira, bolsista do projeto.
Formado por uma equipe multidisciplinar, que envolve estudantes e profissionais de Terapia Ocupacional e Psicologia, Design, Engenharia Elétrica, Fisioterapia e Engenharia da Computação, o NEDETA tem consultoria da psicóloga Marilise Fernandes, professora da UFPA. “Um dado que nós conseguimos é que muitas dessas crianças estão aqui em função de um pré-natal mal feito. Outro dado interessante, é que se essas crianças tivessem um acompanhamento desde novinhas, elas teriam um desenvolvimento cognitivo muito maior”, avalia Marilise.
Mais que aprendizado, o NEDETA é sinônimo de criatividade e solidariedade que enche de esperança e alimenta os sonhos de quem luta pela independência dos filhos. Mãe de Davi, uma das crianças atendidas pelo projeto, Lúcia Regina resume bem a importância do trabalho para a qualidade de vida do menino, que também foi vitima da paralisia cerebral. “O NEDETA é muito importante pra ele, muito mesmo, porque as meninas ficam acompanhando, ensinando as coisas no computador, ensinando as cores, isso vai estimulando mais a mente dele, que já evoluiu bastante. Meu filho está muito melhor”.
saiba mais em: http://http//www.portal.ufpa.br

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